domingo, 28 de março de 2010

intensidade.

Não te desejo. Não desejo seu pescoço, coxas e seios; assim como não desejas meus lábios, orelhas e braços. Mas isso faz-se intensidade em nosso aperto de aço, em nossos braços como laços, em nosso nunca separar. Tira-me a consciência seu cheiro, e faz-me perder no brilho de seus olhos, e me ganhas por inteiro. Passo a desejar-te sem receio. Sem freio. Nossos corpos debatem-se, querendo um o espaço do outro; Quem dera fosse físico.. o meu desejo é químico! Não desejo estar em seu corpo, e nem o seu calor; desejo estar em cada célula sua, que unam-se às minhas e faça-se fogo! Refrea-me, refrea-me! Quem dera fosse físico! Quem dera não fosse vício! Quem dera existisse cura, chance, escolha: não há! Nem mesmo morfina cessa este desejar! Não há mais tempo pra mim, não há mais “mim”, estou em você, sou você! Estás em cada energia que me move, em cada célula até então intocada, lá está você!
Não te desejo sexualmente, te desejo em amor intenso; Sem fundamento. Sem razão de amar!
E aqui estou, sem “mim”, sem razão.. esperando apenas sua condição, e se não me escolheres: morte à mim, então!



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