domingo, 27 de junho de 2010

engole.

E quando fores reclamar de minhas atitudes, engula todo seu veneno por essa garganta à qual muitas línguas devem ter passado e até mesmo se abrigado. Engula de seu veneno e morra lentamente, assim como eu morria quando injetaste sua vida em minhas veias. Morra lentamente, perca sua liberdade, perca-se de ti e não me procure. Não estou mais aqui pra ti.
E o que quero ver é se, com este veneno em suas veias, se tornará o monstro que sempre aparentou esconder nas suas escuras entranhas, ou se vai ajoelhar-se e se arrastar à cada passo meu, fracamente, assim como eu fiz diante de ti, e repetirá a atitude que tanto criticou quando mestra da situação. Me implore, mas já não sou sua.

portas do meu mundo.

E eu te abro meu mundo. Entre, sirva-se de uma dose de meu ar. Saceie sua sede de tomar-me a vida por longos e lentos tragos. Mantenha-me dependente de sua bondade, à beira do abismo. Entre, as portas estão abertas pra ti, mesmo que seus objetivos sejam maléficos, meus princípios me impedem de fechar-te a porta à cara. Te recebo bem, te ofereço meu sangue, interrompo o respirar para que o barulho não te encomode. E que pare esse pulsar do coração, que age como grito em meio ao silêncio, e se necessário arranque-me os olhos, pois eu já vivo na escuridão. Respire meu ar, trague minha vida, inale o cheiro de meu amor, tome de minha saliva. É essa sua maldade que me mantém viva.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

ódio.

Eu preciso me recompor. Eu preciso juntar as partes que insistem em se repelir à cada lembrança sua. Eu preciso livrar-me desse veneno em meu sangue. Eu preciso retomar cada célula de meu corpo. Eu preciso me viver. Quero que você saia de cada parte de mim, de cada mísero e infrutífero canto do meu ser. Deixe-me abrigar-me em minha máscara fria de desamores que, antes, nada mais eram do que vaidade e orgulho, mas que, hoje, não passa de minha realidade. Deixe-me voltar às minhas origens onde o amor não passa de um mito, afinal, é o que é. Deixe-me te odiar por inteira. Deixe-me fugir da sua insignificante presença como o diabo foge da cruz. Deixe-me jogar seu nome no lixo, e que os ratos roam. Sinta todo ódio e desprezo que sinto por meu ser, por conseguir e insistir em te amar. Sinta todo o ódio e rancor que tenho de seus podres atos, que insisto revoltantemente em perdoar. Quero que sinta a força do meu querer expulsando-te do meu ser. Sinta o meu desprezo. Sinta tudo que eu senti, enquanto recolho-me à minha indiferença. Sinta, e quando perceber, serei eu que estarei em seu ser, em cada insignificante canto escuro de suas veias; sinta-se presa, pertencente à mim; vulnerável e dependente de minha esplendorosa presença; Sinta o amor doentio que carrego como fardo; Sinta o não-querer do meu querer. Sinta tudo que sinto, imersa em suas mentiras e frigidez; Aí então, minhas partes se formarão em uma, e eu me recomporei sobriamente e friamente despedaçarei os cacos do seu ser, em alusão ao que fizestes com meu amor. Vista sua armadura e defenda-se dos golpes, mas, como o vento, entrarei por cada espaço, tomando-te, esfriando-te; Te forçarei à vestir a mesma máscara fria dos desamores que ingenuamente deixei que, carinhosamente, fosse posta em meus rosto. Adore-me como te adorei. Ame-me como sempre te amarei. Odeie-me como me fizeste te odiar. Recomponha-se como me recomporarei. E não viva, assim como não viverei.

eu não.


É quando eu me despedaço que sinto o poder que você tem sobre minhas partes, mesmo que separadas. É quando a atração que você exerce é a de separação, em vez de obrigar-me à me recompor. É quando cada parte de mim voa, em sentidos opostos, e o centro está vulnerável. É quando sinto meu escudo despedaçar-se ao vento forte que o golpeia. Enfia-me a espada fundo, retorça-a dentro de mim: dê motivo para essa dor que sinto. Jogue-me às traças. Decomponha-me fisicamente. Deixe-me em frangalhos, assim como estão minhas emoções. Mergulhe todo seu amor e sua paixão no molho de meu sangue. Eu não espero mais nada de ti. Eu não espero me recompor. Eu não.

" Let's talk this over
It's not like we're dead
Was it something I did?
Was it something you said?

Don't leave me hangin'
In a city so dead
Held up so high
On such a breakable thread

You were all the things I thought I knew
And I thought we could be

You were everything, everything that I wanted
We were meant to be, supposed to be
But we lost it
All of our memories so close to me
Just fade away
All this time you were pretending
So much for my happy ending

It's nice to know that you were there
Thanks for acting like you care
And making me feel like I was the only one
It's nice to know we had it all
Thanks for watching as I fall
And letting me know we were done "

( My Happy Ending - Avril Lavigne )