
É quando os pés já não se movem, e os braços cruzam-se no peito como um gesto de defesa não-intencional. Os nós dos dedos pulsam ao esmagar do polegar, e a veia dos pulsos está à mostra. A boca treme, junto ao lacrimejar dos olhos já injetados, que ganham ainda mais contraste no roxo das noites mal dormidas. O pescoço está imóvel, diferentemente das pernas que bambeiam como um elefante no fio de nylon. As unhas se enterram com força brutal nas palmas de suas mãos, mas você não sente a dor, sente apenas o arranhar de sua garganta ressecada, e os batimentos cardíacos aproveitam a desculpa de sua fantasia para fazer um novo enredo: é noite de espetáculo. O oxigênio passa rapidamente pela longa avenida formada de veias, tão rápido que você nem o percebe. O que você percebe é o frio que te toma à partir da espinha, e a ânsia de botar toda essa agonia pra fora; Mas nem as palavras você consegue botar. É quando você percebe isso, que seus joelhos automaticamente se dobram, e te jogam ao chão que parece ser feito de pregos que, de tão grandes, chegam à sua alma e pescam o seu passado. Você se encolhe. O frio de seu corpo contrasta com seu rosto, que parece em chamas. Os olhos, fechados, são indiferentes; mas quando abertos, queimam em meio ao líquido; Até que você os feche, e não abra mais.

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