segunda-feira, 21 de junho de 2010

ódio.

Eu preciso me recompor. Eu preciso juntar as partes que insistem em se repelir à cada lembrança sua. Eu preciso livrar-me desse veneno em meu sangue. Eu preciso retomar cada célula de meu corpo. Eu preciso me viver. Quero que você saia de cada parte de mim, de cada mísero e infrutífero canto do meu ser. Deixe-me abrigar-me em minha máscara fria de desamores que, antes, nada mais eram do que vaidade e orgulho, mas que, hoje, não passa de minha realidade. Deixe-me voltar às minhas origens onde o amor não passa de um mito, afinal, é o que é. Deixe-me te odiar por inteira. Deixe-me fugir da sua insignificante presença como o diabo foge da cruz. Deixe-me jogar seu nome no lixo, e que os ratos roam. Sinta todo ódio e desprezo que sinto por meu ser, por conseguir e insistir em te amar. Sinta todo o ódio e rancor que tenho de seus podres atos, que insisto revoltantemente em perdoar. Quero que sinta a força do meu querer expulsando-te do meu ser. Sinta o meu desprezo. Sinta tudo que eu senti, enquanto recolho-me à minha indiferença. Sinta, e quando perceber, serei eu que estarei em seu ser, em cada insignificante canto escuro de suas veias; sinta-se presa, pertencente à mim; vulnerável e dependente de minha esplendorosa presença; Sinta o amor doentio que carrego como fardo; Sinta o não-querer do meu querer. Sinta tudo que sinto, imersa em suas mentiras e frigidez; Aí então, minhas partes se formarão em uma, e eu me recomporei sobriamente e friamente despedaçarei os cacos do seu ser, em alusão ao que fizestes com meu amor. Vista sua armadura e defenda-se dos golpes, mas, como o vento, entrarei por cada espaço, tomando-te, esfriando-te; Te forçarei à vestir a mesma máscara fria dos desamores que ingenuamente deixei que, carinhosamente, fosse posta em meus rosto. Adore-me como te adorei. Ame-me como sempre te amarei. Odeie-me como me fizeste te odiar. Recomponha-se como me recomporarei. E não viva, assim como não viverei.

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